terça-feira, 9 de junho de 2009

Redução do IPI para carros termina em junho, diz Mantega

Durante fórum, ministro da Fazenda também aproveitou para criticar o
nível atual dos juros reais brasileiros
por Agência Estado Tamaño de texto Imprimir
 
Brasília. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta
segunda-feira que o governo não tem intenção de estender a redução do
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de automóveis
novos. "(A prorrogação) termina este mês. E se você está pensando em
comprar um automóvel, aproveite a oportunidade, que os preços ainda
estarão reduzidos", comentou, com bom humor, para jornalistas ao final
do Fórum Globonews.
 
 
 
O ministro lembrou que a redução do IPI não ocorreu só para
automóveis, mas também para produtos da linha branca (geladeiras,
fogões, lavadoras) e material de construção. Outros produtos tiveram
redução permanente no imposto, entre eles, material de construção. "À
medida em que a economia demonstra que está caminhando com suas
próprias pernas, então poderemos tirar esses estímulos", disse.
 
 
 
O ministro ressaltou que a indústria automobilística retomou os
patamares de produção registrados no ano passado. Contudo, disse que a
fabricação de caminhões e tratores ainda está abaixo do registrado em
igual período do ano passado. No caso da produção de ônibus, as
indústrias estão retornando a patamares registrados há 12 meses com
força. "Os setores (produtivos) que não estão voltando poderão ter
algum estímulo adicional", afirmou. "Nós vamos avaliar (esses fatos)
no final do mês."
 
Ministro critica juros
 
Mantega mostrou-se descontente com o nível atual dos juros reais
brasileiros, isto é, o juro após o abatimento da expectativa de
inflação para os próximos 12 meses. "Alguns estão satisfeitos com
esses juros reais de 5%. Eu não estou satisfeito, pois 5% é taxa de
aplicação (financeira)", comentou,.
 
 
 
Segundo o ministro, esse nível de taxa de juros real contempla
basicamente investimentos, mas o custo financeiro para a tomada de
empréstimos por empresas e cidadãos está ainda bem alto. "O tomador de
crédito paga 28%, 30%, 40%, 50% ao ano. (O juro do) crédito ao
consumidor está estupidamente elevado", afirmou.
 
 
 
O comentário do ministro ocorre algumas semanas depois de o presidente
do Banco Central, Henrique Meirelles, ter manifestado, em eventos
públicos, que a taxa de juros real de 5% é a menor da história recente
do País e que muitas pessoas no passado sonhavam com esse nível.
 
 
 
PIB negativo
 
 
 
O ministro da Fazenda afirmou que a economia brasileira "certamente"
deve registrar um Produto Interno Bruto (PIB) negativo no primeiro
trimestre deste ano em relação ao apurado no quarto trimestre do ano
passado. "Sabemos que o PIB no primeiro trimestre deste ano será
negativo. Há economistas fora do governo que preveem uma queda de 1%,
2% ou 2,5%, mas eu não vou fazer previsão", afirmou.
 
 
 
Na avaliação do ministro, contudo, essa será uma notícia do passado,
"vista pelo retrovisor", pois a economia brasileira já está
registrando recuperação clara em vários setores, o que foi, segundo
ele, propiciado pela ação rápida do governo ao adotar medidas
anticíclicas a fim de diminuir os impactos da crise no País. "O BNDES
(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) possui R$ 160
bilhões à disposição para financiar investimentos e capital de giro de
empresas."
 
 
 
De acordo com o ministro, a economia brasileira continuará em processo
de gradual expansão e, em 2010, deve retomar um nível mais avançado de
crescimento, quando deve avançar perto de 4%.
 
 
 
Mantega afirmou também que os investimentos do governo este ano devem
atingir cerca de 1,2% do PIB, o que é equivalente a um montante pouco
superior a R$ 30 bilhões. Segundo ele, esses recursos representam um
esforço do governo brasileiro para estimular a demanda agregada em
meio à forte crise internacional.
 
 
 
MP para empresas
 
 
 
O ministro da Fazenda informou ainda que deve sair ainda nesta
segunda-feira uma medida provisória (MP) que cria um Fundo Garantidor
de Crédito (FGC) para beneficiar as pequenas e médias empresas,
voltado especialmente para a aquisição de máquinas, equipamentos e
caminhões.
 
 
 
O ministro destacou que esse novo FGC se juntará a outras iniciativas
semelhantes já implementadas, como o FGC que beneficiou a indústria
naval, no valor próximo de R$ 5 bilhões. Segundo Mantega, esses
recursos serão importantes para desenvolver com mais rapidez os
investimentos da Petrobras, que devem alcançar US$ 66 bilhões este
ano. O ministro citou ainda o FGC de R$ 4 bilhões gerido pelo Banco do
Brasil, cujos recursos são destinados para pequenas e médias empresas.
 
 
 
O ministro afirmou também que o governo brasileiro deve lançar em
breve um novo plano de safra do setor agrícola e será mais forte em
matéria de crédito do que o registrado no ano passado.

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